sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A Escola de Chicago - por Alain Coulon


                                                                                                                       Antonio Durval Campelo Barauna


Introdução

Entende-se por Escola de Chicago um conjunto de trabalhos de pesquisa realizado entre 1915 e 1940 na Universidade de Chicago. Vale salientar que essa denominação não implica uma corrente teórica comum, nem tão pouco uma homogeneidade de ideias; há grandes diferenças, entretanto bastantes características são comuns aos pensadores dessa Escola.
A expressão foi utilizada pala primeira vez muito tempo depois do começo desse movimento mais precisamente em 1930, quando Luther Bernard apresentou as diferentes escolas da sociologia existente.” (p.7)

Caracteriza-se pela empiria: “Com efeito, antes do aparecimento desses trabalhos empíricos, as investigações sociológicas eram orientadas para as 'pesquisas sociais', muito impregnadas de moralismo emais próximas do jornalismo investigativo que da investigação científica(...)” (p.8)

Foram diversas as contribuições dos sociólogos da Escola de Chicago, sobretudo “o desenvolvimento de métodos originais de investigação: utilização científica de documentos pessoais, trabalho de campo sistemático, exploração de diversas fontes documentais.” (p.8)

A Escola de Chicago é uma sociologia urbana, com a maioria dos seus trabalhos voltados para um problema político social mais importante: o da imigração e da assimilação de milhões de imigrantes à sociedade americana.


As origens

A Universidade de Chicago, mais especificamente, o departamento de Sociologia e Antropologia (unificados até 1929) é considerado o grande responsável pela origem da sociologia na América do Norte; considerada assim a Escola de Chicago “o berço da escola americana”.

O papel decisivo de Albion Small

Embora, enquanto sociólogo, Small não tenha tido grande influencia nas pesquisas e teorias sociais, este professor e primeiro dirigente do departamento de Sociologia e antropologia na Universidade de Chicago teve grande destaque pela sua excelente atuação administrativa na direção do departamento.
Como sociólogo, Small classificou a motivação humana em 06 categorias: “a saúde, o bem-estar material, a sociabilidade, o conhecimento, a beleza e a retidão” (p.15)

Um mérito também de Small foi a insistência na necessidade em objetivar as investigações sociológicas: “Ele achava que a sociologia era uma ciência, que se tratava de fundamentar com base não no discurso, mas nas pesquisas empíricas(...)(p.15)

O pragmatismo

Segundo o pragmatismo, a atividade humana deve ser considerada sob o ângulo de três dimensões que não podem ser separadas: biológica, psicológica e ética. Ao agir, i indivíduo persegue uma meta, tem sentimentos e emoções.” […] “O pragmatismo é na verdade uma filosofia da ação, mas também pode ser chamado de filosofia da intervenção social. Assim, Mead fez dele um instrumento social e foi muito ativo no movimento de reforma social, na medida em que achava que a consciência dos indivíduos se elabora por meio das interações e dos processos sociais.” (17-18).

O interacionismo simbólico (expressão utilizada pela primeira vez por Blumer, em 1937)

Não se pode negar, e se deve estudar a grande influência que o interacionismo simbólico teve sobre a sociologia produzida em Chicago; Segundo Blumer “as significações sociais devem ser consideradas como 'produzidas pelas atividades interativas dos agentes”. (p.19). O pesquisador deve compreender e analisar essas significações e para que isto de fato ocorra ele precisa ter acesso aos fenômenos particulares (que são as produções sociais significantes dos agentes). “O interacionismo simbólico, ao contrário [da concepção durkheiniana, que pensava as manifestações individuais como não pertencentes ao domínio da sociologia], afirma que é a concepção que os agentes têm do mundo social que constitui, em última instância, o objeto essencial da investigação sociológica” (p.20)

O que é “si”? A interiorização por parte do indivíduo, dos processos sociais de interação; É aprendida a construir o “si” através da interação do agente com os demais, sendo assim, os “si” tornam-se fenômenos sociológicos”;
A sociologia deve então analisar os processos responsáveis pela conduta individual dos agentes, baseado nas “interpretações do mundo que o rodeia”(ibidem)

As cinco hipóteses propostas a partir do interacionismo simbólico de Mead:
Vivemos em um ambiente simbólico e físico, simultaneamente;
“Temos a capacidade de tomar o lugar do outro' porque temos em comum com os outros os mesmos símbolos”- símbolos significantes/símbolos naturais
Temos a capacidade de prever, em grande medida, o comportamento dos outros indivíduos, uma vez que temos em comum uma cultura;

“O 'eu' é a resposta do organismo ás atitudes dos outros; o 'mim' é o conjunto organizado de atitudes que empresto aos outros. As atitudes dos outros constituem o 'mim' organizado, e reagimos perante isso como 'eu'. (COULON,P.21, apud MEAD)

“O pensamento é o processo pelo qual soluções potenciais são, antes de mais nada, examinadas sob o ponto de vista das vantagens e desvantagens que o indivíduo teria com elas em relação a seus valores e depois, finalmente, são escolhidas […]. Um ato, portanto, é uma interação contínua entre o 'eu' e o 'mim', é uma sucessão de fases que acabam cristalizando-se em um comportamento único.” (p.22)

Implicações metodológicas

No interacionismo simbólico, o conhecimento sociológico precisa estar apoiado no indivíduo. É com essa corrente teórica que o indivíduo [agente social] ganha destaque “ como interprete do mundo que o rodeia e, por conseguinte, pões em prática métodos de pesquisa que dão prioridade aos pontos de vistas dos agentes[...]. “ Para o interacionismo simbólico, um conhecimento sociológico adequado não poderia ser elaborado pela observação de princípios metodológicos que procuram retirar os dados de seu contexto para torná-los objetivos. Trata-se, ao contrário, de estudar a ação em relação com a realidade social natural em que se vive.”

o agente social ganha destaque “ pois é através do sentido que atribuem a objetos, indivíduos e símbolos que os rodeiam, que ele fabricam seu mundo social” (p.22)

Outras influência
-Ideias de Darwin (sobretudo nos estudos de Park)
-Teoria da relatividade de Einstein (sobretudo nos estudos de Mead)
-Forte influência religiosa: “estes laços com o protestantismo são importantes para compreender porque uma parte dos primeiros sociólogos da escola de Chicago tinham uma inclinação para o trabalho social e para as reformas sociais matizadas de cristã”

A sociologia da ação: é com esse formato e essa identidade que se constituem a Escola de Chicago uma vez que as tendências “reformadoras deram um impulso decisivo à sociologia: o de voltar para o trabalho de campo, para o conhecimento da cidade e a resolução de seus problemas sociais, não para uma sociologia especulativa, mas , ao contrário, para uma sociologia da ação.” ( p.23)

A rebelião de 1935

A partir de 1935, outras “correntes” sociológicas americanas passaram a também ganhar destaque: “Em 1937, dois anos depois da rebelião, a publicação da obra Talcont Parsons, The Structure of Social Action, confirmaria o surgimento de uma nova orientação teórica, radicalmente diferente da sociologia empírica de Chicago, que em seguida dominaria a sociologia americana durante um quarto de século” (p.27)


A imigração e as relações étnicas

O contexto social a qual a Escola de Chicago estava inserida é sem dúvida o grande responsável pela constituição dos conceitos que essa sociologia apresentou; tendo a imigração como pano de fundo dessas relações, “É sem dúvida a este interesse da sociologia de Chicago pela questão da assimilação dos imigrantes que se deve a existência vários dos grandes conceitos da sociologia americana, entre os quais a desorganização social, a definição da situação, a marginalidade, a aculturação” (p´.30)

Atitudes individuais e valores sociais
Atitudes individuais- características subjetivas dos indivíduos do grupo social considerado
Calores sociais- elementos culturais objetivos da vida social

Segundo os autores Thomas e Znaniecki a análise sociológica deveria levar em consideração esses dois conceitos: os valores do grupo social e as atitudes individuais:

“A atitude é um conjunto de ideias e emoções que se transformam em uma disposição permanente em um indivíduo e lhe permite agir de maneira estereotipada. Pode ser definida como 'o processo da consciência individual que determina a atividade real ou potencial do indivíduo no mundo social. A atitude é a contrapartida do indivíduo aos valores sociais[...]”
“Thomas e Znaniecki afirmavam que um fato social é uma combinação íntima dos valores coletivos e das atitudes individuais[...]”
“[...] o efeito de um fenômeno social depende do ponto de vista subjetivo do indivíduo ou do grupo e só pode ser calculado se conhecermos não apenas o conteúdo objetivo de sua suposta causa, mas também o significado que tem para os seres conscientes considerados...Uma cauda social é complexa e deve incluir ao mesmo tempo elementos objetivos e subjetivos, valores e atitudes.”(p.30-31)

O fato de se estudar as coisas individuais de um problema para em seguida seguir ao social tornou-se uma característica comum aos sociólogos de Chicago. A importância do conceito de atitude elaborado por Thomas e Znaniecki está diretamente ligada aos estudos relacionados aos imigrantes, sobretudo quando rejeitavam as ideias reducionistas à biologia, de que comportamentos individuais se desviantes às normas caracterizavam-se como problema fisiológico. “Thomas e Z. Contribuíram grandemente para rejeitar esse reducionismo biológico, mostrando que o Estado mental dos imigrantes não estava ligado a um problema fisiológico, e sim, diretamente, ás transformações sociais ocorridas em sua vida cotidiana […] Thomas esteve entre os primeiríssimos intelectuais americanos, junto com Franz Boas a criticar as teorias que explicavam as diferenças intelectuais e mentais pela pertença a uma raça: ' a variável real', dizia ele, 'é o indivíduo, não a raça' “. (p.32-33)

A desorganização social

O que é desorganização social? Segundo Thomas e Z. “uma organização social é um conjunto de convenções atitudes e valores que se impõe sobre os interesses individuais de um grupo social. Ao contrário, a desorganização social, que corresponde a um declínio da influência dos grupos sociais sobre os indivíduos, manifesta-se por um enfraquecimento dos valores coletivos e por um crescimento e valorização das práticas individuais. (p.34-35)
É interessante salientar que Thomas e Z. Entendem que a desorganização social acontece, sobretudo, por uma insatisfação. “Este é, evidentemente, um fenômeno e um processo que se encontra em todas as sociedades, mas que se amplifica quando uma sociedade sofre mudanças rápidas, sobretudo econômicas e industriais.” (p.35)
A partir desse argumento amplia-se o entendimento do que seja a desorganização social, uma vez que esta ocorre não somente por uma insatisfação. É claro que em toda a sociedade os fenômenos sofrem mudanças e não estão em total harmonia com os desejos e interesses de todos os grupos. A desorganização social é também “consequência de uma mudança extremamente rápida, de um adensamento da população urbana ou, ao contrário, de uma súbita desertificação. Mudanças tecnológicas importantes podem igualmente provocar uma desorganização, assim como catástrofes naturais, crises econômicas, políticas ou pessoais.” (p.35)
No caso da situação polonesa estudada por Thomas e Z., a desorganização não é devido a imigração, mas sim o fator impulsiona esta. “...o fato de imigrar para a América provoca uma reorganização.” (p.35)
“...o estado de desorganização social é provisório, precede um período de reorganização.” (p.35)
Dois tipos de desorganização:- familiar; - comunidade;
É nos estudos de Wiliiam F. Whyte que encontramos a contrapartida a este conceito de organização e desorganização social. Segundo este autor, a comunidade italiana, a qual pesquisou, poderia ser entendida como desorganizada se analisada sob a égide dos conceitos de Thomas e Z. Entretanto esta seria uma “sociedade organizada que 'possui sua própria organização, complexa, estruturada, com relações pessoais hierarquizadas, fundadas em um sistema de obrigações recíprocas.' Tratava-se, portanto, de uma organização social diferente, e não de uma falta de organização.” (p.38)

Desmoralização e assimilação

“Nem todas as manifestações de desvio são sempre um sinal de desorganização social: é possível também que se trate de um desvio individual. Thomas e Z., com efeito, faziam uma distinção entre a desorganização individual, que chamava de desmoralização, e a desorganização social.” (p.38)

A patologia individual não é considerada um indício de desorganização social.
A assimilação: “A assimilação, que é antes de mais nada um processo psicológico, segundo Thomas (que porém negligenciou, parece-nos, o aspecto político da questão, bem como o das condições de vida econômica do imigrante), que será completa quando o imigrante), será completa quando o imigrante tiver o mesmo interesse pelos mesmos objetos que os americanos de origem; dito de outro modo, na linguagem da etnomenologia, quando ele se tornar membro, ou seja, quando possuir o domínio da linguagem natural do grupo.” (p.40)
A delinquência surge da desmoralização do indivíduo; “quanto mais forte é a pressão da sociedade americana para uma assimilação completa dos imigrantes […]. Essa pressão produz então o contrário do fenômeno esperado, e surgem formas mais ou menos violentas de delinquência, porque não se pode separar, sem consequências, o indivíduo do seu grupo cultural e social de origem.” (p.40)

A definição da situação
“O indivíduo age em função do ambiente que percebe, da situação que deve fazer frente. Pode definir cada situação de sua vida social por intermédio de suas atitudes anteriores, que o informam sobre este ambiente e lhe permitem interpretá-lo. A definição da situação, portanto, depende ao mesmo tempo da ordem social tal como se apresenta ao indivíduo e da história pessoal deste. Sempre há um conflito entre a definição espontânea de uma situação por um indivíduo e as definições sociais que sua sociedade lhe oferece. (p.41)

As etapas do processo de desorganização-organização segundo Park:
Rivalidade (equilíbrio econômico) -  considerada a forma mais elementar de interação uma vez que é a interação sem contato; a ausência do contato entre indivíduos é o que favorece o surgimento de conflito e por seguinte o que faz surgir as etapas seguintes proposta por ele;

Conflito (ordem público)- é inevitável quando populações diferentes são postas em contato; é a considerada a tomada de consciência dos indivíduos a respeito da rivalidade (anterior) que estão vivendo: “De um modo geral , pode-se dizer que a rivalidade determina a posição de indivíduo na comunidade; o indivíduo atribui-lhe um lugar na sociedade” (p.43)

Adaptação (organização social)- considerada como mutação pela qual passa determinada sociedade em determinado contexto; há coexistência entre os grupos, porém estes continuam rivais em potência, aceitando suas diferenças; “As relações são organizadas com o fim de reduzir os conflitos, controlar a rivalidade e manter a segurança das pessoas.” (p.44)

Assimilação (personalidade e herança cultural) – é a sequência natural da adaptação; segundo Park é aqui que os contatos se multiplicam favorecendo uma maior solidariedade entre os indivíduos; “A assimilação é um fenômeno do grupo, no qual as organizações de defesa da cultura dos imigrantes por exemplo, ou os jornais de língua estrangeira tem um papel determinante. Portanto, é preciso estimular o desenvolvimento ao invés de combatê-los.

A noção de assimilação em Park: “Define a assimilação como um processo durante o qual os grupos de indivíduos participam ativamente do funcionamento da sociedade sem perder suas particularidades.”( p.45)

Aculturação e assimilação

“O conflito culmina na fase de adaptação, em que as relações entre superiores e subordinados são constantemente conflitantes. É por isso que , segundo Brown, nunca poderia haver uma assimilação completa da comunidade negra, sempre inferiorizada pela cultura e a ordem social brancas.” (p.52)

“Franklin Frazier (1932): o ciclo não se encerra com a assimilação, e sim com a existência de dois sistemas raciais distintos. Durante a última etapa do ciclo, cada uma das raças desenvolve suas próprias instituições sociais e ocupa zonas urbanas diferentes. Considera que já não se pode falar em negros como uma entidade homogênea, mas, ao contrário, é preciso distinguir entre eles diversos subgrupos, correspondentes a diferentes níveis socioeconômicos e repartidos geograficamente, segundo zonas concêntricas diferentes.” (p.52-53)

“Frazier considerava que certas etapas eram passíveis de se repetir ao longo de várias gerações sucessivas, pois a dialética do conflito de classes e da adaptação cultural prosseguia depois do fim da escravidão, que nã marcava o fim da intimidação e da violência: a adaptação limita, mas não elimina completamente o conflito.” (p.54)

A aculturação é um fenômeno pelo qual o indivíduo adquire a cultura do grupo.

A assimilação é um processo que engloba a aculturação, mas que supõe antes de mais nada uma completa identificação do indivíduo com o grupo.

“A última etapa da integração é o amalgama, estágio supremo de uma população que se assimilou.” (p.55)

A distância cultural

“Os problemas sociais que os imigrantes enfrentam surgem no fato de que os aspectos materiais da cultura tendem a modificar-se com mais rapidez que os seus traços não materiais.” (p.56)

O homem marginal

“Segundo Simmel, o estrangeiro instala-se na comunidade, mas fica à margem. Não apreendem seus mecanismos íntimos e permanece de certo modo exterior ao grupo social, o que lhe confere, involuntariamente, uma maior objetividade, “que não implica o distanciamento ou o desinteresse, mas resulta antes da combinação específica da proximidade e da distência, da atenção e da indiferença”(p.56)

“Os contatos entre as diferentes culturas produzem sempre uma desorganização das instituições sociais, sendo mais afetadas as da cultura “fraca”, ou seja, as do grupo minoritário. Deste grupo, alguns elementos “marginais” emergem caracterizados por sua vontade de abandonar o grupo de origem e de integrar-se ao grupo majoritário.”(p.57)

“Segundo Park, o homem marginal é tipicamente um imigrante de segunda geração, que sofre plenamente os efeitos da desorganização do grupo familiar, a delinquência juvenil, a criminalidade, o divórcio etc. O homem marginal, ao separar-se da sua cultura de origem, é sempre alguém que , aculturando-se, constrói para si mesmo uma nova identidade.” (p.58)

“O homem marginal, que elabora um nosso mundo com base em suas experiências culturais diversas, sente-se com frequência rejeitado, e com razão, pois está apenas parcialmente assimilado.
Consequentemente, segundo Stonequist, na maior parte do tempo ele desenvolve críticas duras acerca da cultura dominante que o rejeita apesar de seus esforços de integração, e denuncia sua hipocrisias e contradições.” (p.59)

A criminalidade

A escola de Chicago, além dos estudos voltados para questões das imigrações e relações étnicas, foi responsável por bons estudos a respeito da criminalidade analisada em Chicago.

Alguns autores desenvolveram teses explicando o motivo dessa criminalidade pautados no conceito, novamente, de desorganização social.

As gangues

Segundo Thrasher há em Chicago uma zona onde vivem os imigrantes europeus, e seria nessas zonas que surgiam as gangues estudadas por ele; as gangues estão localizadas e se constituem em um “cinturão de pobreza”, o que dessa forma lhe traz certas características; “A gangue é uma resposta à desorganização social: 'ela oferece um substituto à aquilo que a sociedade não consegue dar e protege de comportamentos desagradáveis e repressivos. Supre uma carência e oferece uma escapatória” (p.63)

A formação de uma gangue

É formada necessariamente a partir dos encontros de jovens que vivem sem ter o que fazer ao redor de seus domicílios; esses jovens ajudam-se mutuamente e é isso que cria a coesão no grupo; a característica fundamental da gangue é o fato do deslocamento frente a outros grupos de forma conflituosa. Esses grupos que se tornam gangues possuem um território próprio e os indivíduos a eles agrupados tem consciência de si enquanto grupo.

A constituição de um delinquente (componente de uma gangue) se dá pelos seguintes fatores:

“Uma vida familiar inadequada, a pobreza, um ambiente deteriorado, uma religião eficaz, uma educação falha e lazeres inexistentes formam, em seu conjunto, a matriz do desenvolvimento das gangues. ( COULON apud Thrasher, p.66)

Um dos fatores de criminalidade segundo Shaw e McKay; “A pobreza, uma grande mobilidade e uma alta heterogeneidade da população acarretam a ineficácia das estruturas comunitárias, o que leva a um enfraquecimento do controle social; isto, por sua vez, favoreceu o surgimento da criminalidade.(p.76)

Os métodos de pesquisa

Este capítulo pretende mostrar um outro lado da sociologia de Chicago no que tangencia os aspectos de pesquisa. Segundo COULON na Escola de Chicago se configurou a partir da década de 1930 uma sociologia quantitativa, de forma marginal no seu início mas com grande tendência a se expandir.

Os documentos pessoais
-as cartas;
-o histórico de vida

“Não se encontram muitas reflexões metodológicas sistemáticas e aprofundadas nas pesquisas da Escola de Chicago. Na verdade, os debates metodológicos e teóricos sobre a validade dos métodos qualitativos são muito recentes na história da sociologia americana. […] Talvez seja preciso ver na ausência de comentários dos sociólogos sobre seus métodos de investigação, o fato de que lhes parecia natural investigar desse modo no seio das comunidades que tomavam por objeto.” (p.114)

Conclusão: uma segunda escola de Chicago

“Como movimento intelectual e teórico, pode-se que uma primeira escola de Chicago se encerrou com a segunda guerra mundial, no momento em que a sociologia americana se tornou mais quantitativa e mais diversa no plano teórico. Em compensação, a sociologia quantitativa que a Escola de Chicago soube desenvolver teve influências consideráveis sobre a sociologia americana, e continua a ser reinvidicada por um grande número de sociólogos em todo o mundo.” (p.123)

“[...] a sociologia de Chicago foi prolongada, sobretudo por aquilo que se pode chamar de 'Segunda Escola de Chicago', caracterizada por trabalhos de orientação interacionista e por novas teorias do desvio.”(p.124)



Referência:

Coulon Alain. ‘ Escola de Chicago de Chicago.  Papirus Editora, São Paulo. Tradução: Tomás R. Bueno.

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